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04/08/2008
- Valor Econômico, São
Paulo, Legislação &
Tributos |
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Empresas
priorizam acordos para reduzir passivos
em seus balanços
Josette Goulart,
de São Paulo |
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A cada dez meses, a carteira de processos
judiciais ou administrativos propostos
aos milhares diariamente por consumidores
dobra de tamanho se as empresas nada
fizerem. A estatística não é exatamente
a mesma para todas as companhias, mas
dá uma mostra do porquê as companhias
começaram a se preocupar em reduzir
seus passivos e conseqüentemente os
valores de suas provisões em balanços.
A tática que tem sido mais usada é a
criação de políticas de acordo para
não só reduzir o número de processos
como preveni-los. O resultado é que
advogados constatam que mesmo com o
grande crescimento do consumo nos últimos
anos, o número de processos não cresce
na mesma proporção.
Esta é uma realidade que começa a ser
retratada no dia-a-dia dos escritórios
de advocacia especializados em contencioso
de massa, que fazem a gerência da imensidão
de processos de pequenos valores originados
das relações de consumo. Um cliente
do escritório Fragata e Antunes, por
exemplo, estabeleceu neste mês uma política
de acordo para reduzir seu passivo em
25% nos próximos três meses. "Temos
no escritório o que chamamos de uma
célula de acordo, há seis anos, e a
quantidade de clientes que usa hoje
o grupo que compõe essa célula aumentou
muito", diz Francisco Fragata Junior,
sócio do escritório que administra o
contencioso de importantes empresas
como a C&A, a rede nordestina Insinuante,
Credicard, entre outros.
A estatística apresentada no começa
desta reportagem foi feita pelo advogado
Solano de Camargo, do escritório
Dantas, Lee, Brock & Camargo,
em um parecer elaborado para um cliente.
O mesmo estudo mostra que se o processo
é levado até o fim e a empresa perde,
os gastos podem ser 16 vezes maiores
levando em consideração os custos administrativos,
o valor da condenação, as eventuais
multas aplicadas pelo Procon. Até mesmo
quando a empresa tem razão, o custo
para levar um processo adiante pode
ser maior, dependendo do valor do produto,
afirma Camargo. Um processo levado até
o fim num juizado especial tem um custo
60% maior para a empresa.
Mas ao deixar de enfrentar uma ação
na Justiça, da qual a empresa acredita
ter inquestionável razão, para priorizar
acordos, a companhia pode incorrer no
risco do que Camargo chama de "efeito
paradoxo". Este é o efeito que a notícia
do acordo, que pode ser espalhada boca-a-boca,
pode ter sobre outros consumidores que
passam a se sentir estimulados a acionar
a empresa e, com isso, inflar os números.
Uma das formas de evitar esse efeito
paradoxo é manter o completo sigilo
das políticas de acordos fixadas pelas
empresas, como sugere o coordenador
de contencioso cível de escala do escritório
Siqueira Castro, Gustavo Gonçalves Gomes.
"As grandes empresas começaram a mudar
suas políticas para evitar processos
e começaram a estimular acordos", diz
Gomes. "Mas precisam manter o sigilo
dessas políticas".
O Siqueira Castro administra hoje 50
mil processos de suas clientes e o advogado
Gomes notou que o uso frequente de acordos
pelas empresas fez com que o número
de processos não crescesse na mesma
proporção que o volume do consumo. O
advogado lembra que as empresas não
querem encabeçar as listas do Judiciário
de campeãs de processo. "Fazer acordo
e evitar o Judiciário é também muito
bom para a imagem da empresa", diz Gomes.
A advogada Catarina Costa do escritório
Danneman Siemsen, especializado em propriedade
intelectual, mas que entrou no filão
do contencioso de massa há dois anos,
diz ainda que muitas empresas usam política
de acordos para manter o consumidor
como cliente. Camargo, do escritório
Dantas, Lee, Brock & Camargo, diz que
uma enquete com consumidores mostra
que pelo menos 40% quer apenas trocar
o produto e não receber o dinheiro de
volta, o que demonstra a confiança deles
nas empresas. |
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